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A recente reestruturação dos quadros técnicos da Formação do clube colocou Francisco Tobias como treinador principal dos Iniciados...
Aos 25 anos, este antigo jogador das camadas jovens do Varzim assume, assim, um dos maiores desafios na sua ainda curta carreira como treinador. O novo líder dos Iniciados promete uma equipa que dignifique ao máximo o nosso clube e que terá como objectivo principal da época a manutenção no Campeonato Nacional.
Nesta nova época desportiva os quadros técnicos da Formação do Varzim sofreram algumas alterações. No seu caso particular, assumiu o comando principal dos Iniciados. Com que expectativas aceitou esse desafio?
Antes de mais, gostaria de referir que foi com satisfação que recebi o convite para assumir o comando de treinador principal dos iniciados. Sinto que sou uma aposta do Professor Eduardo Esteves e do Sr. Alfredo e trabalho diariamente para corresponder às suas expectativas. O meu objectivo é que os Iniciados do Varzim sejam uma equipa que dignifique ao máximo o nosso clube.
O campeonato, entretanto, já começou; conta com duas jornadas e o Varzim venceu os dois jogos com números expressivos. Esta entrada no campeonato não podia ser mais positiva.
É verdade que começamos bem o campeonato, mas não conseguimos ainda mais do que 6 pontos. Significa que nos preparamos bem para uma prova exigente. O campeonato é uma prova extremamente difícil, com uma longa caminhada a percorrer. Nenhuma equipa consegue seja o que for à segunda jornada. Por isso, todas as pessoas que participam neste escalão sabem que é hora de trabalhar e fazer com que os nossos atletas evoluam cada vez mais em termos desportivos e sociais.
O grupo que tem em mãos permite-lhe definir que objectivos para a temporada?
O grupo que tenho em mãos permite-me definir como objectivo a manutenção no campeonato nacional, reconstruir, mais uma vez, a equipa, porque todos os anos os clubes grandes contratam jogadores desta equipa, aliado a uma boa qualidade de jogo, que agrade a todas as pessoas que acompanham a nossa equipa. No entanto, para mim, o objectivo primordial é contribuir para a evolução dos meus atletas como jogadores de futebol e, acima de tudo, como homens. Digo-lhes sempre que com 14 anos ninguém é nada no sentido desportivo. Se querem ser alguma coisa no futuro têm que aproveitar tudo o que lhes é transmitido pelos treinadores nesta fase da sua vida e trabalhar cada vez mais para atingirem níveis de rendimento superiores. Eles têm de ser muito bons a partir dos 18 anos para quando chegarem ao futebol profissional conseguirem ser futebolistas profissionais. Quem não o conseguir, leva, pelo menos, formação humana, o que os ajudará a enfrentar os desafios que a sociedade lhes vai apresentar.
O Tobias é um treinador jovem mas já com alguns anos na Formação do Varzim. É fácil perceber que se trata de uma pessoa responsável e que se dedica a cem por cento às funções que ocupa dentro do clube. Qual a sua opinião sobre o papel que o clube tem tido na Formação desportiva e humana destes jovens jogadores?
No meu entender, o Varzim é a melhor escola de futebol do país. Em termos desportivos, o Varzim é das poucas equipas que forma atletas dos escolas aos séniores. Somos dos clubes que não tem estrangeiros nas suas fileiras e quase todos os jogadores são da terra. Como sabem, as condições que o Varzim possui neste momento são diferentes da maioria dos clubes, no entanto, cada vez mais os jogadores formados no Varzim aparecem nas selecções nacionais, na I e II ligas. O que acontece nos clubes grandes, é irem buscar atletas aos outros clubes, reforçarem consideravelmente as suas equipas, inclusive com estrangeiros, não efectuando formação com esses atletas. Preocupam-se exclusivamente em ganhar os campeonatos de escolas, infantis, iniciados, juvenis e juniores, desleixando a formação individual de cada atleta. Além disto, os campeonatos ficam desequilibrados, uma vez que, os clubes grandes ficam cada vez mais fortes e desfalcam as outras equipas dos seus melhores jogadores. É a formação que temos em Portugal e que os clubes grandes estão a destruir. Em termos humanos, posso dizer que o clube tem tido um papel fulcral nos valores que transmite aos jovens, porque, como tenho comprovado, as nossas equipas são sempre das mais disciplinadas, respeitando sempre os adversários, os árbitros, os adeptos varzinistas, bem como os adeptos dos adversários. No Varzim incentivamos os jovens aos estudos, preocupando-nos com as notas escolares que têm de apresentar no final de cada período.
Qual o balanço que faz destes anos ao serviço da Formação do Varzim?
O Varzim é o meu clube. Joguei nos escalões de formação dos 8 aos 18 anos. Foi muito importante na minha formação como homem. Regressei ao Varzim para trabalhar nos escalões de Escolas e Infantis, há 4 anos atrás. Faço um balanço extremamente positivo destes anos ao serviço da formação do clube. Nos escalões de escolas, desde que entrei temos melhorado ano após ano, e cada vez mais temos encurtado distâncias para o F. C. Porto. Nos iniciados, a minha aventura como treinador principal começou o ano passado. Algumas pessoas tinham receio pelo número de equipas que eu treinava em simultâneo (treinador principal dos escolas B, Treinador adjunto dos Infantis A e treinador principal dos Iniciados B). No entanto, foi a época em que tudo me correu bem: Escolas B fomos campeões de Série, Infantis A segundo lugar no campeonato nacional da primeira divisão distrital, Iniciados subimos de divisão numa época verdadeiramente fantástica, com uma qualidade de jogo elogiada por todos.
S.N.
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