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Aos 34 anos e com um currículo bem recheado, Avelino abraçou um novo desafio. Representar o Boavista, ainda que na 2ª divisão “b”, permitiu-lhe dar um salto na carreira que, para muitos, já seria pouco provavél acontecer, atendendo à sua idade. Na verdade, mais do que um salto na carreira, foi o concretizar de um sonho antigo...
Formado nas camadas jovens do FC Porto, clube onde permaneceu até aos séniores, Avelino vive agora a alegria de estar em campo com o emblema do Varzim ao peito, algo há muito desejado.
Saber os clubes que perfazem o teu currículo como profissional de futebol é fácil, basta uma pesquisa na internet. Mas conta-nos como tudo aconteceu desde o teu início na modalidade.
Comecei a jogar futebol com 7 anos nas escolinhas do FC Porto, onde permaneci até aos séniores. No meu primeiro ano de sénior, fiquei 6 meses a trabalhar no clube. Na altura era o Bobby Robson o treinador. Entretanto, fui emprestado ao Felgueiras. Nesse ano, acabamos por subir à 1ª liga e fiquei lá mais um ano. No final da época, regressei ao Porto porque tinha contrato mas fui, novamente, emprestado, desta feita, ao Penafiel, onde fiz 4 épocas. Depois, estive dois anos no Beira Mar e, no ano seguinte, fui para o Leça (2ª liga), mas como não pagavam, no mercado de Inverno, optei por ir para o Marco (2ª Liga). No final da época, voltei ao Penafiel e estive lá mais 5 anos. Subimos à 1ª liga e conseguimos lá ficar duas temporadas. Seguiu-se o Freamunde e, depois, o Boavista.
Falando ainda sobre os primeiros anos, quando estavas nos escalões iniciais, treinaste sempre como guarda-redes? Nunca te aventuraste a jogar noutras posições?
Não. Treinei sempre como guarda-redes. Foi sempre um lugar que gostei e diziam que eu tinha algum jeito. Foi por isso que fui treinar ao Porto e por lá fiquei.
Ao olhar para trás, sentes que o teres feito a Formação no FC Porto, fez alguma diferença no decurso da tua carreira?
O Porto é um grande clube e ajudou imenso ter feito a Formação lá. Se tivesse ido para outra equipa, certamente, não teria sido internacional tantas vezes como fui... Fui 47 vezes internacional, desde os sub - 15 até às Esperanças; fui Campeão da Europa; fiz parte da equipa que ficou em terceiro no Mundial...
Achas que te faltou um pouco de sorte na altura em que devias ter dado aquele pulo na carreira e que os teus colegas de equipa acabaram por dar, como foi o caso do Hilário, teu parceiro no FC Porto?
O Hilário sempre foi meu colega, desde os Infantis até aos Júniores. Como se costuma dizer, ele foi sempre o meu eterno suplente. Raramente jogou. O Quim também era meu suplente na selecção e o certo é que o Hilário está no Chelsea e o Quim foi guarda-redes do Benfica e está agora no Braga. Eu estou no Varzim. Mas com muito agrado.
Sinto que, de facto, me faltou um pouco de sorte na altura de dar o salto e, nesse aspecto, entendo que, se calhar, jogar no FC Porto foi prejudicial. O Quim teve um percurso semelhante ao meu mas, porque jogava num clube como o Braga que era inferior, teve a sua oportunidade. Para mim, como jogava no Porto e estava tapado pelo Vítor Baía, as coisas eram mais díficeis e não jogava. Por isso é que fui emprestado. Recordo-me que, no primeiro ano de sénior em que eu era para ser emprestado pelo Porto, estive para vir para o Varzim. Vim cá falar com os responsáveis do clube. Na altura o presidente era o Sr. Lídio Marques e eu fui à Câmara falar com ele. Não chegámos a acordo porque, 15 dias depois, eu tinha o Mundial e ele disse-me que o Porto tinha dado autorização ao Varzim para não me deixar ir ao Mundial. Eu não aceitei. Expliquei que o Mundial era um marco na carreira de qualquer jogador e eu queria ter no meu currículo uma presença no Mundial. Foi por essa razão que, nesse ano, não vim para o Varzim. De certa forma, o Porto marcou-me por eu ter contrariado e não fui tão ajudado pelo clube.
Apesar de tudo, fazes um balanço positivo da tua carreira?
Faço, embora sinta que existiam condições para chegar mais longe. Não sou um guarda-redes alto, mas se tivesse mais 10cm, não tenho dúvidas de que tinha condições para ser um guarda-redes de selecção “A”. Não tenho problemas nenhuns em assumi-lo porque humildade a mais também é defeito. Tenho qualidades e podia ter ido mais longe.
Na época passada, representaste o Boavista, um clube histórico mas que pelas razões que todos sabemos, se encontra a competir na 2ª Divisão “B”. Estavas à espera de receber um convite para a 2ª Liga?
Na época passada tive alguns convites de 2ª liga mas rejeitei, por serem clubes distantes. Eu não queria estar longe de casa. Apareceu-me, então, o Boavista e agradou-me imenso ter lá jogado. Independentemente da divisão em que se encontra, o Boavista é um grande clube e acredito que foi por ter jogado lá que voltei a ter convites da 2ª liga esta época. Se me perguntarem se estava à espera de receber um convite de “um Varzim”, eu diria que não, que não estava à espera que um clube como o Varzim – que é um grande clube a nível nacional, me convidasse. Por isso, quando efectivamente o Varzim me convidou, não olhei para trás e não quis saber de mais nada, aceitei de imediato.
Identificas-te com este clube?
Identifico-me. Primeiro, por ser um clube que já estive em vias de representar em épocas transactas mas que nunca se concretizou. As pessoas não fazem ideia da alegria que vai dentro de mim. O Varzim é um clube histórico. Em segundo lugar, porque a Póvoa é uma cidade que eu gosto muito e onde já vinha muitas vezes para jantar e encontrar os muitos amigos que cá tenho. Estou ansioso para que os jogos comecem e para vestir a camisola do clube.
Fazes parte de um grupo muito jovem. Sentes que, juntamente com jogadores como o Telmo e o Rui Barbosa, podes ser um ponto de equilíbrio?
O plantel é de facto muito jovem. Mas como já tive oportunidade de dizer, é um plantel com jogadores de muita qualidade. Muita qualidade mesmo! Ao pé deles, também me sinto miúdo. Gosto de brincar com eles e, a trabalhar com eles, nunca penso que tenho 34 anos, nem me sinto diferente por causa disso. Sou igual a eles e só espero que me vejam como um amigo. Quero ajuda-los a evoluir com a experiência que tenho. Espero contribuir para que eles sejam mais fortes no futuro.
Ao fim de uma semana de trabalho, o clube e as pessoas têm correspondido às expectativas?
A primeira abordagem foi óptima. Parecem-me pessoas sérias, o grupo é muito bom e recebeu-me muito bem. Já falei com todos e já fixei os nomes. Estes pormenores são muito importantes para a integração.
Vens para ser o «dono» da baliza alvinegra?
Primeiro, venho com o objectivo de ajudar o clube. Agora, é evidente que quero jogar. Quero ajudar o Varzim, dando o meu contributo dentro de campo. Se não for possível, vou dar o meu contributo de outra forma. Vou trabalhar diariamente para que o jogador que está na minha posição evolua.
Nos últimos anos, os sócios do Varzim têm tido uma relação muito especial com os guarda-redes. Foi assim, com o Ricardo, com o Bruno Conceição e com o Marafona. Estás preparado para lidar com a massa associativa poveira?
Estou preparado. Sei que é uma massa associativa exigente e que, acima de tudo, gosta do clube. Os sócios podem estar descansados em relação ao meu profissionalismo. Eles querem que o Varzim ganhe, mas eu dentro de campo também o quero. Tudo o que eu fizer é para ajudar o clube. É lógico que, como qualquer ser humano, estou sujeito ao erro; posso sofrer golos em que se calhar as pessoas vão achar que fui mal batido, mas isso faz parte da vida e do futebol. Todas as pessoas, nos seus trabalhos, cometem erros. E eu espero que compreendam quando isso acontecer.
SN
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